A APAE do Distrito Federal vem a público manifestar sua profunda indignação e repúdio diante da atuação de uma mulher que vinha desenvolvendo um esquema de golpes financeiros e manipulação emocional direcionado a pessoas com deficiência — algumas delas assistidas por nossa instituição.
Conforme já apurado em matérias jornalísticas (veja AQUI), a mulher estaria envolvida em pelo menos 14 registros de estelionato contra pessoas com deficiência no Distrito Federal, com prejuízos de milhares de reais. Segundo relatos, ela usava promessas de relacionamento amoroso ou de emprego para se aproximar de vítimas — algumas com deficiência intelectual — e, a partir desse vínculo, conseguia acesso a dados pessoais, cartões de crédito, empréstimos e transferências.
Temos ciência de que, para atingir suas vítimas, a pessoa investigada teria inicialmente observado redes sociais de entidades que prestam apoio à pessoa com deficiência e enviando mensagens para beneficiários, estabelecendo falso vínculo de confiança para, posteriormente, perpetrar o golpe. Em alguns casos, apresentou-se falsamente como beneficiária de serviços da APAE para ganhar credibilidade, mas nunca foi atendida pela Associação.
Diante dessa triste situação, a APAE-DF reforça o seguinte:
- Alerta à comunidade e às famílias
- Não desconfie somente de pessoas “estranhas” — golpistas muitas vezes se apresentam como próximos, com discurso emocional convincente;
- Desconfie se alguém solicitar dados pessoais, documentos, senhas bancárias, PIX ou empréstimos alegando “situação emergencial” ou “favor” com justificativas sentimentalistas;
- Mantenha conversa aberta com a pessoa com deficiência sob sua responsabilidade, explicando riscos de estabelecer vínculos online ou aceitar contatos sem certeza da identidade;
- Verifique identidades, peça comprovações e deixe claro que qualquer transação ou pedido de ajuda financeira deverá ser comunicado antes.
- Posicionamento institucional
A APAE-DF repudia veementemente qualquer ato de manipulação, assédio ou crime cometido contra pessoas com deficiência. Entendemos que essa parcela da população está entre as mais vulneráveis a práticas predatórias que exploram confiança, fragilidade emocional ou dependência. Assumimos o compromisso de colaborar com autoridades — fornecendo informações, documentos e apoio às vítimas — para que todos os envolvidos sejam responsabilizados dentro da lei.
- Encaminhamentos e canais de denúncia
- A APAE-DF providenciou ofício direcionado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e à Delegacia-Geral da Polícia Civil do DF para requerer a investigação formal da conduta da investigada.
- A PCDF já contabiliza registros em inquéritos de estelionato contra pessoas com deficiência no nome dessa pessoa investigada.
- Caso alguém perceba situação similar, orientamos que faça denúncia imediata à Polícia Civil do DF, pelos canais oficiais:
• Ligação para 197 (PCDF)
• Boletim de ocorrência presencial em delegacia
• Boletim de ocorrência online, por meio da plataforma da PCDF - Pode-se também formalizar representação ao Ministério Público do DF e buscar auxílio da Defensoria Pública, se necessário.
- Chamado à vigilância coletiva
Esse tipo de crime — que mistura manipulação emocional, fraude e exploração de vulnerabilidade — não é isolado. Outros golpistas podem replicar modus operandi semelhantes em outras localidades ou instituições de apoio a pessoas com deficiência. Por isso, é urgente uma rede de alerta entre entidades, famílias, usuários e órgãos de segurança. A prevenção deve se dar pela informação, comunicação rápida entre entidades e fiscalização ativa dos casos suspeitos.
A APAE-DF reitera seu compromisso com a dignidade, segurança e proteção de todas as pessoas com deficiência que atende, e reafirma que nunca compactuará com práticas que as coloquem em risco. Nos colocamos à disposição para colaborar no combate a esse tipo de crime.
Atenciosamente,
APAE-DF

